AMAMENTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: QUAL A RELAÇÃO?

Imagem Andrea

Essa é a mensagem da campanha da Semana Mundial da Amamentação – de 1º a 7 de agosto de 2016.

“Amamentar é reduzir morbidades, mortalidade, desigualdades, violência, danos ambientais. Amamentar é promover a vida e a saúde e melhorar sua qualidade, é intensificar as relações sociais, é um resgate cultural da condição humana, é segurança alimentar e nutricional, é reduzir impactos ambientais, é sustentável.”

Pra começar, vamos por partes! Desenvolvimento sustentável significa desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de terem as suas próprias necessidades satisfeitas. Trabalha essencialmente igualdade, ecologia e economia. De largada, estas são algumas das possíveis relações entre cada um dos objetivos de desenvolvimentos sustentáveis e a amamentação. O leite materno é o melhor alimento que uma mulher pode oferecer ao seu bebê, é o mais acessível, seguro e completo, em qualquer situação socioeconômica e em qualquer lugar. É um método natural de alimentar que, além de fazer bem à saúde do bebê e da mãe, contribui indubitavelmente para o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades sociais, e, principalmente, ainda estimula a conexão afetiva entre a mãe e o bebê.

O aleitamento materno contribui para a preservação da natureza. Por ser um tipo de recurso natural sustentável, não agride o meio ambiente, supre as necessidades do ser humano e consequentemente não compromete o futuro das próximas gerações. A amamentação está relacionada, por exemplo, com as metas que dizem respeito à boa saúde e ao bem-estar, também é muito democrático e igualitário tanto para mulheres pobres quanto ricas, pois é acessível a todas as camadas sociais, e isso ajuda a reduzir as desigualdades sociais bem como outros objetivos relativos à ecologia e preservação.

Amamentar é exercer a cidadania – um direito da mãe e do bebê! A amamentação é consagrada nas estruturas e convenções dos direitos humanos. As legislações e políticas nacionais para proteger e apoiar as mulheres que amamentam e os bebês precisam garantir para que seus direitos sejam respeitados.

A literatura tem mostrado a importância fisiológica, nutritiva e ecológica do aleitamento materno, visto que cuida não somente da saúde física e mental da mãe e da criança, mas também minimiza poluentes do ar, água e solo. Então na questão ambiental, podemos dizer que o aleitamento materno é ecológico e não depreda recursos naturais, assim como fazem as fórmulas complementares e leites artificiais que envolvem todo um processo de industrialização. O leite materno não gasta energia para ser produzido, não precisa de produção leiteira, plásticos, papeis, não tem resíduos, não usa energia, nem água, nem precisa de combustível para ser transportado. E está sempre pronto para ser tomado sem precisar de aquecimento!

“A amamentação é um ato ecológico e contribui com o meio ambiente de forma a promover, para as gerações atuais e futuras, um ambiente que lhes proporcione qualidade de vida” (MARTINS, 2012, p.60).

Outra vantagem do aleitamento materno é o custo zero. Daí a importância do aleitamento materno quanto recurso natural sustentável e a economia doméstica: mais uma vez fica claro que a amamentação contribui não somente para o desenvolvimento e crescimento saudável da criança, mas ainda para sustentabilidade do meio ambiente, minimizando assim o impacto ambiental e econômico.

Isso tudo sem adentrarmos no quesito saúde primária, em que já está comprovado cientificamente que o aleitamento materno é a primeira vacina do bebê, e que quando ofertado na primeira hora de vida, passa nutrientes e anticorpos cruciais a sobrevivência do recém-nascido. Sabemos que a amamentação sob a livre demanda proporciona toda ingestão de água que o bebê precisa e previne muitas infecções no bebê – diarreia, alergias, pneumonia, infecções como otites, doenças respiratórias como asma, entre outras doenças. A mãe que amamenta tem menor chance de desenvolver diabetes e câncer de mama. O aleitamento materno exclusivo, com a continuação da amamentação por dois anos ou mais, fornece nutrientes de alta qualidade e adequada energia que pode prevenir a fome, a desnutrição e a obesidade.

As mulheres que amamentam e são apoiadas por seus chefes, são mais produtivas e leais ao emprego. A proteção à maternidade e outras políticas favoráveis no local de trabalho tornam mais possível para a mulher conciliar a amamentação com o trabalho e emprego. As mulheres que amamentam e trabalham fora de suas casas precisam gerenciar estes desafios e serem apoiadas por seus empregadores, pelos familiares e pela comunidade. As creches próximas aos locais de trabalho e os intervalos para a amamentação podem fazer uma grande diferença!

Para obtermos bons resultados urge a necessidade de preparar e orientar as gestantes durante o pré-natal e priorizar a assistência no puerpério imediato. Ouso dizer que o puerpério imediato é decisivo para o sucesso da amamentação, pois é o primeiro momento em que as mães enfrentam as maiores dificuldades com o aleitamento materno: a adaptação da mãe ao recém-nascido, do bebê ao novo status quo, a aceitação da nova rotina de vida…

É de extrema importância a atuação da equipe de saúde, dos enfermeiros e técnicos, da consultora em amamentação, desde o atendimento pós-parto ainda no hospital, como também em visita domiciliar, acolhendo, coletando e fornecendo informações, aconselhando, sugerindo; enfim, prestando assistência qualificada às recém-mães, sendo um instrumento cotidiano para as ações de promoção da saúde, atentos às especificidades e particularidades de cada família na tentativa de solucionar os problemas que envolvem a saúde individual e coletiva, e encorajar para a mudança de hábitos que pode contribuir para melhoria da saúde da população. Esta é uma medida de extrema importância para o aumento dos índices de aleitamento materno infantil.

É imperioso iniciarmos o processo de transformação de pensamento e atitude, adotando medidas simples que se encontram ao alcance de cada um e que são de vital importância para a saúde coletiva.

E lembre-se sempre que, se és mãe, não deixe ninguém te dizer o contrário, não vá contra teu instinto; se és pai, ajude a proteger a vontade da mãe e do bebê; e, se és um familiar, amigo, profissional de confiança da família, o teu apoio é muito importante para uma amamentação de sucesso!

Imagem Andrea 2

* Andrea Gabech – Mãe do Artur, formada em Direito, servidora pública, Doula Parto e Pós-Parto, Consultora em Aleitamento Materno, apoiadora e incentivadora da humanização do parto e nascimento, amamentação prolongada, criação com apego, disciplina positiva, Co-Facilitadora dos encontros do Grupo de Apoio a Gestantes Partolândia, hoje gestando a “ReMÃEnascer”, que em breve brilhará!!!

Alguns links importantes da SMAM 2016:

http://www.ibfan.org.br/site/wp-content/uploads/2016/04/1-WabaCal_Poster_Back_final.pdf

http://www.ibfan.org.br/site/wp-content/uploads/2016/04/1-A-Semana-Mundial-do-Aleitamento-Materno-2016-traz-um-tema-amplo-e-que-vem-de-encontro-com-a-situacao-atual-do-mundo.pdf

 

 

 

 

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