Pelos seus olhos

Esse post foi escrito pela Alessandra Rauter, blogueira do Porto Materno, especialmente para o Clube de Mães.  ❤

 

“Filho, desde que te imaginei, pensava em como iria te apresentar o mundo, sentia que a maternidade me traria o poder de guia, de conselheira e de apresentadora. Sonhava com os dias que passearíamos pelos parques, que veríamos patos, cachorros, borboletas e pássaros. Com as vezes que iríamos à um mercado, que te falaria sobre as frutas, e que tentaria passar longe do corredor de guloseimas.  Que andando pela rua contigo falaria do trânsito, das ruas, dos carros, do tempo.  Nas nossas viagens de carro, quantas brincadeiras e músicas já estavam programadas em minha cabeça. Te imaginando, me imaginava como mãe, como professora, como médica, como psicóloga, e tantas mulheres que eu poderia ser para te encantar com o mundo que lhe dei, o mundo que recriei para te fazer feliz.

Então da minha imaginação tu viestes para os meus braços, com aqueles olhinhos espremidos, rostinho enrugado, pequenos pés, pequenas mãos. frágil e delicado. Aos poucos os olhinhos foram ficando mais atentos, e eu percebi que em breve chegaria a hora de começar andar contigo por esse mundão, falando do céu, do sol e das estrelas. Em breve te daria as mãos para os primeiros passos, em breve repetiria contigo tuas primeiras palavras. IMG_0891

Doce ilusão de que te ensinaria do jeito que eu sabia das coisas da vida, quase arrogância. Tu nascestes e nasceu contigo uma nova forma de eu enxergar o mundo, um mundo que eu já conhecia de muitos anos antes, o mundo da minha infância. Pelos teus olhos lembrei do que me fazia rir, que esconde-esconde tem muito mais graça que qualquer viagem de férias, que brincar com panelas e fazer comidinha de faz de conta, é muito mais gostoso do que o restaurante mais famoso que eu já fui, que me jogar no gramado é mais confortável que colchão de hotel 5 estrelas. Pelos teus olhos vi aquela borboleta, que há muito tempo esqueci de admirar.

Pelos teus olhos também vi o que me fazia triste, que ser ignorado ou desencorajado dói, vi que cair no chão demora para ser normal, entendi que as vezes ninguém entende o que se sente, e que chorar ajuda. Pelos teus olhos senti que as vezes tudo que se precisa é de um abraço apertado e de um beijo mágico.

Vi que meu mundo nunca será o teu, apenas partilharemos das descobertas da tua infância, que lá sim serei tua companhia, e com o passar dos anos criará teu próprio mundo, com tuas próprias opiniões, teus próprios sentimentos, com as tuas percepções. Deste teu mundo serei espectadora e admiradora, claro, também serei crítica, afinal que mãe não é.

Foi pelos teus olhos que te amei ainda mais, por eles que vi o que precisavas e o que ainda não tinhas capacidade de entender, ou força para sentir e por eles que vi o quanto eu precisava ser melhor e parar de imaginar, arregaçar as mangas e fazer, por mim e por nós.

Pelos teus olhos vi que muito mais que ser professora, a vida te deu para que eu fosse aprendiz.”

Alê Rauter

Blogueira do Porto Materno

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