Um balão, uma mãe….devaneios….

Eu aqui, sentada numa clínica estética, esperando pra me deliciar num lindo peeling que ganhei de aniversário da minha irmã e resolvo instalar o aplicativo que me dá acesso às câmeras da escolinha da minha pequena Lelê ( Helena, 3 anos e meio). Ela início nessa escolinha esse ano, e eu ainda não tinha instalado o aplicativo que me permite ver a escola. Câmeras instaladas e lá estou eu me divertindo vendo a turminha brincar com balões ( hoje teve festinha na escolinha). Corre pra cá, corre pra lá e zum! Um balão escapa da mão de uma coleguinha…eu, desse lado da tela, sofro com o desespero dela. A profe se aproxima, fala alguma coisa ( não tenho áudio, apenas vídeo) os coleguinhas se aproximam, a chamam de volta para a brincadeira. Ela vai, nas de tempos em tempos, olha para o lado onde o balão escapou, acho que esperando seu regresso. E eu ali, apenas olhando e morta de dó da menininha! Nem bem me recupero desse susto, e de repente, o balão da MINHA filha escapa das mãozinhas dela! Tenho que conter um grito, e as lágrimas. Ela corre, e eu gritando mentalmente : ” – Corre, Lelê! Pega ele!”. Corre pra cá, corre pra lá, cai de bunda, mas alcança o fujão, e consegue captura lo! A mamãe respira aliviada. Suspiro (acho que um pouco alto pois juro que a senhora sentada na minha frente me olha de um jeito estranho) a Lelê ama balões, principalmente os da-cor-rosa-que-ganha-nos-aniversários, sei lá, é quase um prêmio para ela voltar pra casa com um balão pôs festa!E dai, fui correndo contar pra milhas amigas do grupo secreto clube de mães. E a cada comentário, um sorrisinho brotava no meu rosto:” ufa, eu não sou maluca! Eu não estou sozinha!” 

E dai me dei conta de como esse negócio de ser mãe é interessante. Vi um post hoje no face que dizia algo mais ou menos assim: atualmente além de ser linda, bem sucedida, tu precisa ter PN e amamentar por dois anos! Como ser mãe nos dias de hoje é uma tarefa curiosa, cheia de exigências e cobranças. 

Não é permitido nenhum arrependimento, se alguém diz estar arrependida de ter filho nesse ou naquele momento, sofre retaliação, corre o risco de ser expulsa do mundo perfeito das mães ! E não é permitido querer apenas um filho! Nem dois! E três, só se for maluca! Precisa fazer cama compartilhada, azar o teu se tu não consegue dormir com aquele serzinho se mexendo ao teu lado. E mama em livre demanda, leite materno exclusivamente custe o que custar ( às vezes abaixo do uso de remédios ) ! Ah! E colocar o bebê cedo na escolinha é maldade! Porém, ficar em casa, abrir mão da carreira em prol dos filhos também não é visto com bons olhos!

Ah! A maternidade! Tempos de angústia, ambivalência e ambiguidade! Parece que nunca seremos perfeitas! Nunca agradaremos a todos! Nunca atingiremos as exigências para fazer parte do clube das mães maravilhosas! Mas, espera um instante…quem disse que o que nossos bebês precisam é perfeição? Eu acredito que eles precisam de mães reais, que choram quando não sabem o que fazer, que pedem ajuda, que erram e mudam de ideia! E que sentem dor ao amamentar as primeiras vezes (e nas segundas e terceiras!!!!)

 Li um texto hoje (confesso que não li muito atentamente) sobre amar os filhos mas não amar ser mãe. Texto legal, embora eu tenha discordado em muito do que li. Eu amo ser mãe!

E amar ser mãe não significa que acho fácil ou que não tenho problemas. Apenas amo ouvir minha pequena gritando “-mamãe!”, amo o sorriso dela, amo quando vem correndo e se joga nos menus braços sem medo! Amo essa parceria, confiança… 

Claro que a maternidade trás contratempos, não uso mais salto alto com a frequência de antes, também não faço mais luzes nos cabelos, não tenho mais uma noitada de festa tranquila… Meus seios racharam e doeram pra caramba nos primeiros dias da amamentação… Minha libido diminuiu muito nos primeiros meses também ( meu marido leu e disse que diminui e ainda não voltou ao normal) Meu corpo não é mais o menos: seios caídos e uma “pochete” na minha cintura que não estava ali antes! Nossos programas de casal mudaram, agora, preferimos a qualidade do espaço kids à qualidade do menu! 

Mesmo assim, nunca percebi um olhar de desaprovação ao comportamento da minha filha num restaurante ou festa. Nunca ouvi um comentário desrespeitoso por ter a levado a algum lugar. Claro que escolhemos as mesas mais próximas do espaço kids e ao menor sinal de chilique ( quando era bebezinho, pois faz tempo que isso não acontece em restaurantes) apressávamos a refeição, pulávamos o cafezinho e nosso lindo jantar durava cerca de vinte minutos! Mas, assim acredito que ensinamos ela a ser uma menina comportada em eventos sociais. Ah! O iPad e brinquedinhos também ajudaram muito! 

Mas, depois de todo esses devaneios, voltei a olhar as câmeras da escolinha… Já haviam ido pra sala, estavam sentadinhos e a profe distribuía folhas, finalmente uma atividade pouco emocionante. A esteticista me chama, desligo o aplicativo e agradeço a ela ( por ter me salvo daquela avalanche de emoções, sensações ) e enquanto tenho meu lindo peeling de diamantes.sendo aplicado me dou conta de que eu amo ser mãe! Amo dizer para as pessoas que a “loirinha ali é minha a filha”, fico muito orgulhosa quando elogiam a minha bonequinha. Eu que fiz, e faço, todos os dias, do meu jeito, com meus tropeços e com muito amor! 

Tanise Bernardes, mãe da Lelê (3anos), Psicóloga . 

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