Os reis do troninho: sobre a retirada das fraldas

baby-on-pottyDesde a noite de Natal minha filhotinha tem tido alguns “escapes” de xixi. Ela está com três anos e seis meses e faz um ano que deixou de usar fraldas. Não usa mais para dormir desde fevereiro passado. Estava super adaptada, faziam meses que não escapavam xixis durante a noite, e durante o dia, então, nem me lembrava da última calcinha molhada. Mas, enfim, chegou o Natal, a ansiedade pelos presentes, a visita dos primos, o Papai Noel ( ano passado ela não curtiu tanto toda a função como foi nesse ano) , escolinha dela fez recesso, a mamãe e o papai estavam trabalhando, ela ficou uns dias com a dinda e começou na escolinha nova! Um monte de novidade para uma vidinha de três anos, seis meses e alguns dias! E, com isso tudo, uns escapes de xixi na calcinha e na cama! Dai me lembrei que estou a horas pra escrever esse texto, contando minha experiência com a tirada de fraldas como mãe e como psicóloga. Pra começar, escapes são comuns até uns os cinco anos de idade. E, eventuais xixis na cama até uns oito também podem acontecer sem significar nada. Essas são idades norteadores, não pontos fixos. Assim como a idade norteadora para a tirada de fraldas é os dois anos. “- Ah! Mas a sobrinha do meu vizinho tirou com um ano e nove meses ! ” ( já escutei alguém pensando), sim! A idade de dois anos é norteadora, não fixa. Terão bebês que com um ano e dez meses estarão prontos e outro só com três anos. E aquele bebezinho de um ano e dois meses que a mamãe jura que já desfraldou? Bom, dai começa a conversa com a psicóloga. Desfraldar significa que a criança já consegue usar o banheiro de forma autônoma. Já reconhece sozinha o desejo de ir ao banheiro, consegue “segurar” essa vontade por alguns instantes, consegue manifestar verbalmente seu desejo, ir até o banheiro e fazer seu xixi ou seu coco. Isso é desfraldar, simboliza a conquista de mais uma etapa na vida da criança, consolida a fase evolutiva do “controle”- não a toa coincide com a famosa crise dos dois anos ( o terrible two, como chamam alguns). Levar o bebê no colo, na hora que habitualmente ela faz côco, coloca lá no vaso…isso é economizar fraldas, poupar o meio ambiente…não é desfraldar. Pode fazer isso com bebezinhos de meses? Pode, não tem lei que proíba. Mas, se trará algum benefício tenho dúvidas.
Mas, voltando ao desfralde… Com cerca de dois anos a criança começa a mostrar os primeiros sinais de desconforto com a fralda, não quer colocar, começa a tirar sozinha ( a minha Helena  vivia com aqueles “bodys” porque desde os nove meses aprendeu a tirar as fraldas sozinha, então, eventualmente arrancava a fralda e “chovia” côco!  Mas isso não significava que queria desfraldar, apenas que a fralda incomodava é aquela era sua nova descoberta). A Helena nasceu em junho, então, quando começou a esquentar estava com dois anos e quatro meses. Já manifestava claramente desconforto com a fralda ( desenvolveu uma alergia horrorosa), e um pouco antes, desde mais ou menos um ano e onze meses, já comunicava que havia feito xixi ou côco. Esse é outro sinal de que o processo de treinamento pode começar em breve.
Esquentou e começamos o treinamento. Eu preferi esperar esquentar porque achava mais fácil sem tantas roupas pra tirar e também se houvesse algum xixi pequeno, que não atravessasse as calças, não corria tanto o risco de ficar com uma infecção urinária. Ah! E também diminuiria a quantidade de roupas pra lavar, já que seria só uma calcinha e bermudinha  ou vestidinho…Escolha minha, tem gente que acha bobagem…
Então, quando decidimos iniciar o processo, eu e o papai combinamos  como faríamos. Aqui o papai participa de tudo! Compramos alguns livrinhos sobre a tirada de fraldas. E começamos a contar a história do côco na cabeça da marmota todos os dias. E comprei um penico ( bem simples). Dei de presente pra Lelê e ela escolheu um lugar especial no banheiro ( sim, lugar de penico é sempre no banheiro). Expliquei pra ela pra que servia o penico. O papai também explicou. Compramos lindas calcinhas! E ela seguia de fraldas. Num sábado pela manhã, quando fui fazer a troca da fralda, perguntei se ela já era menina grande, ao que ela respondeu que sim e que não queria mais as fraldas. Combinamos, então, que a partir daquele momento ela não usariam mais fraldas. Outra dica importante, quando decidir tirar, tire! Ficar “intercalando ” dia sem, dia com, pode confundir a criança e gerar insegurança – lembra que usar o banheiro é uma conquista!
Durante o sábado fomos ao banheiro umas mil vezes, eu a convidava de cinco em cinco minutos, íamos juntas, ela sentava. Eu cantava, contava a história do penico da princesa… E as vezes nada acontecia. As vezes, saia um xixi, que era comemorado com um forte abraço e um adesivo. E assim passamos o sábado e o domingo, em casa. Eventuais escapes apenas eram limpos, trocávamos a calcinha, íamos até o banheiro e eu mostrava onde era o lugar legal do xixi. Na segunda, foi pra escolinha sem fraldas ( já havia sido combinado com a Escoa, que é fundamental nesse processo). Ah! E fomos de carro, sem fraldas. Forramos o banco do carro embaixada cadeirinha com jornal, cobrimos com uma toalha de banho e colocamos outra toalha na cadeirinha. Antes de sair fomos ao banheiro e conversamos sobre nosso primeiro passeio de carro. E seguimos a semana de forma tranquila. Depois de uns dez dias, os escapes já eram sinalizados (- filha, aqui no chão não é legal! Agora a sala ficou toda molhada. Xixi é no banheiro). A fralda da noite optamos por deixar por mais um tempo.
Fizemos uma viagem de férias de Porto Alegre até Florianópolis. Sem fraldas e cheios de tensão. Viagem longa, em pleno mês de fevereiro… Muito tempo na estrada. A Lelê dormiu, e logo paramos e coloquei as fraldas nela. Normalmente, quando íamos até Tramandaí de Porto Alegre, não colocávamos as fraldas, parávamos no pedágio para usar o banheiro e íamos tranquilões… Mas até Sta, deu medo….kkkk…. Ela acordou e assustou se com as fraldas, ficou brava e tivemos que parar para tirar. E fomos o resto do caminho torcendo pra não ter nenhum escape e rindo dos lugares inusitados que parávamos para o “xixi sair”. Molhamos graminha ( dica infalível da vovó), fizemos xixi para as vacas verem…enfim, vale a imaginação para inventar mil brincadeiras, importante trasmitir segurança e tranquilidade, senão, o xixi não sai.
Conforme o tempo passou, os escapes diminuíram muito. E quando ocorriam acidentes, ela mesma tirava a calcinha sozinha, buscava o pano e ajudava a limpar. E conversávamos sobre o acidente.
Em fevereiro, após umas dez noites acordando com a fralda seca ( e muita choradeira cada vez que íamos colocar a fralda) decidimos tirar a fralda da noite também! ( até então, esperava ela dormir para colocar a fralda e tirava antes dela acordar…ela não deixava colocar a fralda, e tirava sozinha para colocar a calcinha).
Para isso, estabelecemos algumas regras : água, suco só até uma hora e meia antes da hora de dormir. A Lelê toma “mama” antes de dormir, então antecipamos o mama e depois de deitada ela ganhava uma quantidade menor de leite, só pra manter o ritual. Quando ela dormia cedinho (+- 20h) , antes de eu ir deitar (+-23h), levava ela no banheiro. Quando dormia mais tarde(+-22h), o papai levava quando acordava (+-6:30h). Dava certo! Raras vezes a Lelê fez xixi na cama!
Aqui não tivemos problemas com o côco, mas algumas vezes foi nas calças. Não vale xingar, ridicularizar, repreender. No início acontece assim mesmo. Melhor limpar, colocar no vaso o excesso e contar a história do côco ( eu inventei uma!!!). Pra não causar constrangimento na criança.
Gurias, espero ter ajudado!
Beijinhos e boa sorte!!!
Tanise,
mãe da Lelê 3 anos, moderadora do grupo secreto Clube de Mães  e psicóloga.
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3 comentários

  1. Estou em sérias dificuldades de desfralde. Filho com 4a1m e iniciei novamente. Ele não sinaliza, não se incomoda com a fralda e noto que ele não quer parar de fazer o que está fazendo pra ir no banheiro. Estou levando de 45min em 45min. Vou focar! A escola também pede que vá de fralda, mesmo que elas levem no banheiro. Alguma dica de ouro?

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    • O ideal é que se for tirar a fralda, tire de vez (pelo menos durante o dia), pois fica muito confuso e até cômodo para ele não precisar parar de brincar para ir ao banheiro. Use a fralda para as sonecas e à noite. Ainda que ele faça pela casa, não desista. É um processo de aprendizagem e cada criança tem o seu tempo.
      Conversa com as cuidadoras, se podem seguir a mesma rotina para o desfralde que tu pratica de casa na escola, ou vice versa. É fundamental que haja esse consenso.
      Outras dicas como a escolha entre penico ou assento são importantes. Às vezes os pequenos têm medo de usar o vaso sanitário, mesmo com redutor. Pedir ajuda das crianças para escolha e compra do penico, banquinho e/ou redutor podem incentivar.
      Adesivos colados no penico ou mural a cada vitória, comemorações nas conquistas e apoio quando ocorrer os deslizes, mostrar que a mamãe e outros parentes também fazem xixi no banheiro são interessantes, porque muitas ações que fazemos rotineiramente devem ser identificadas e mostradas às crianças, assim, facilita o aprendizado. Escovar os dentes, passar fio dental, pentear o cabelo, vestir um casaco, comer com talheres, por exemplo, são ações que serão muito mais fáceis de aceitar e reproduzir se estiverem presentes no dia a dia das crianças.
      Esperamos ter ajudado! Depois retorne e nos conte como foi o processo 🙂

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