Rotina de um mãe de dois, por Marina Frank 

Quando eu digo que meus filhos têm 11 meses de diferença, existem duas frases que são praticamente automáticas de serem ouvidas. A primeira é: foi planejado? 

Olha, se eu disser que planejei, estarei mentindo, mas se eu disser que eu não desejei, também. Eu amo meus irmãos e não queria ter um filho só. Nós arriscamos e, quando me dei conta, tava grávida de novo. Descobri uma semana antes do Bento completar 4 meses, então sinto como se não houvesse havido interrupção entre uma gravidez e outra. Foram quase 2 anos de cuidados na alimentação, muita dor nas costas, fazendo xixi direto, sem posição para dormir. Confesso que não foi fácil: meu baby é super arteiro e eu com um baita barrigão. 

Em termos de dia a dia, sempre tive ajuda de uma babá, mas também nunca parei de trabalhar. Sou autônoma e não tenho licença maternidade, se por um lado não preciso cumprir horário, por outro tenho flexibilidade para levar no medico e ficar com eles quando estão doentes ou manhosos. 

A rotina as vezes é muito difícil, outras é maravilhosa, porém tem três coisas que ainda me dão pânico: uma é a questão da saúde, pois é normal o Bento pegar algo na rua e passar para o Joaquim, outra é o sono, pois se cada um acordar 2 vezes já virou um caos (e quem dera fosse só 2 para cada um) e por último é chorarem ao mesmo tempo por algo que só eu posso fazer, pois escolher qual dos dois atenderei primeiro é muito sofrido. 

Minha rotina, que é a maior curiosidade das pessoas é: pela manhã eu fico com os dois em casa cedo, depois levo o Bento na escolinha e fico com o Joaquim, a tarde o pequeno fica com a babá e eu vou trabalhar. Isso se tudo tiver 100%, que com dois nem sempre acontece. 

  
A tardinha alguns dias tenho ajuda, outros é só comigo, pois meu marido chega tarde do trabalho. O pequeno já está de banho tomado, então é banho, janta e rezar para o Bento dormir, pois até hoje ele não regulou o sono e ainda acorda na madrugada.

O Bento já é super tagarela e apelidou o mano de “Nê”. Ele chama, faz carinho (que acabam sempre virando tapas), mostra para os vizinhos no elevador. A relação deles é linda de ver e eu babo. São nesses momentos que todo esforço vale a pena. 

E lembra que eu havia falado lá no início do texto que eram 2 frases que eu sempre ouvia? A segunda é: “pelo menos vai passar todo o trabalho de uma vez”. Sim, é nisso que penso, mas também que eles serão amigos e companheiros, que eu dei um parceiro para a vida. Sou enlouquecida por eles, acho que não existe absolutamente nada que poderia ter sido diferente. Eu sou assim: faço sem pensar de depois dou um jeito de dar conta. Nas nossas famílias, todos trabalham: avós, tios, dinda. Não conto com praticamente ninguém, eventualmente com a minha mãe no fim de semana ou com as minhas vizinhas, que se tornaram grandes amigas (e meus anjos da guarda). Com isso, é dar conta ou dar conta, simples assim. 

Se eu pudesse voltar atrás e dar um espaço maior entre eles, eu acho que não mudaria nada, pois a rotina se organiza e o amor só cresce, a força interna que temos nós desconhecemos e o tempo voa. Daqui a pouco já vou sentir saudades.  

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