Conversando um pouquinho sobre gestação de alto risco

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Autora: Emiliana Oro Brandao, São José/SC, setembro de 2012

Estamos vivendo um momento mais do que especial em nossas vidas, a espera pela chegada do nosso amado Antônio, essa foto foi feita alguns dias antes do que vou contar para vocês agora…

A vida corre normalmente, trabalho, contas a pagar, família, amigos… claro, tudo potencializado pelos sentimentos aflorados, novos anseios, preocupações, objetivos, enfim… uma forma mais doce e responsável de ser a vida passar.
Se antes o trabalho era importante, agora ele é milhares de vezes mais, pois precisamos dele para nosso sustento e principalmente para dar exemplo ao nosso pequeno. Exemplo de como pessoas de bem, que buscam vencer na vida e superar-se a cada dia, devem agir… é assim… acordando cedo, pegando no batente, estudando muito, organizando seu tempo e ao chegar em casa depois de um dia, uma semana, um mês… agradecer ao nosso Papai Maior pelas batalhas impostas que nos fazem crescer tanto.
Deixem-me contar um pouquinho do momento que vivemos… após completar 23 semanas de gestação, aproximadamente 5 meses, através de exame de ultrassom, foi constatado um grave problema em meu útero chamado de incompetência istmocervical , resumidamente e em termos bem simples, meu útero não possui capacidade de permanecer fechadinho até que se o bebê esteja totalmente formado e pronto para o nascimento.
Por uma grande ironia a qual não busco compreender, somente aceitar, esta notícia veio logo em seguida à conclusão da realização do ultrassom morfológico, onde nos emocionamos muito (eu e o papai Rafael) pois visualizamos com clareza o rostinho do Antônio, seus pezinhos, mãozinhas e movimentos, órgãos internos funcionando perfeitamente, enfim… nas palavras da Dra. Marley “um bebê muito lindo, saudável e querido”.
Achei melhor não expor todo problema, comentamos somente com nossa família e amigos mais próximos e confesso que senti vergonha, profunda vergonha em ser “fraca”… meu filho é saudável e perfeito e eu, naquele momento, não possuía condições de protegê-lo em meu ventre até que estivesse pronto para ser recebido em meus braços.
A decepção e a culpa foram imensas, mas no mesmo momento, ouvir as palavras da minha obstetra Gláucea dizendo “depende só de você mamãe agora…”, esse depender somente de mim queria dizer duas coisas de extrema urgência: a primeira de repouso absoluto e a segunda a realização de uma cirurgia para costurar o colo do útero.
Caso estas duas medidas não fossem adotadas naquele momento o parto prematuro seria inevitável e poderia ocorrer a qualquer minuto, pior de tudo, dificilmente o bebê teria condições de sobreviver.

A mamãe aqui sempre foi uma pessoa extremamente prática, objetiva e que tem grande aversão a dramas, blábláblá, sentimentalismos exacerbados… enfim, sou considerada uma mulher com “personalidade forte” (para não chamar de ríspida, demasiadamente direta e outros termos que vocês estão pronunciando, rsss…) e principalmente no controle de minhas decisões.
Mas naquele dia 09 de agosto eu me vi fraca, impotente e extremamente dependente.
No mesmo momento minha médica prescreveu atestado de 120 dias e a cirurgia imediata!!!
Imaginem isso para uma pessoa que está em um novo trabalho, como isso pode ser possível?

Essas palavras são para passar um pouquinho desta experiência que estamos vivendo, onde encontramos tanto amor, compreensão, ajuda e carinho como nunca imaginei e principalmente, nunca deixei que chegasse até mim.
Hoje conheço a palavra HUMILDADE de forma profunda, entendo que quando temos a nossa vida em jogo, a resposta é “depende”, mas tratando-se de um ser que quer tanto viver e que depende somente de mim a resposta é “seja feita a vontade de meu Pai”, paro tudo, arrisco tudo, permaneço deitada em torno de 20 horas por dia e o que mais se fizer necessário.
Lá fora a vida continua, o sol brilha, a chuva cai, nasce mais um dia e a noite vem… trânsito, barulho, carros, cheiros, gostos, sorrisos e lágrimas.
Aqui em casa eu estou criando um mundo tranquilo, sereno onde os anjos me acalmam e me ajudam intensamente a tornar-me uma pessoa melhor. Leio bastante, a música me acompanha quase que o tempo todo e mantenho minha mente ocupada com pensamentos bons… claro que revezam com momentos de inquietude, insatisfação e tristeza, mas eles são passageiros e até necessários.

Cada coisa no seu tempo, cada sentimento em seu lugar, amanhã, dia em que completo 31 anos, estaremos entrando na 28 semana de gestação e o Antônio cresce protegido. Cada dia é uma vitória, uma superação e hoje, sinto orgulho e não mais vergonha ou frustação.

Assim é a vida, não somos vítimas, heróis ou bandidos… somos seres cheios de momentos, fases, fragilidades… precisamos uns dos outros, mas também somos fortes o suficiente para suportar tudo aquilo que necessitamos suportar .

Torno essa nossa vivência “pública” pois sempre senti medo em expor meus sentimentos e principalmente minhas fragilidades, sempre lutei por me mostrar forte e independente, mas como disse anteriormente, a palavra HUMILDADE faz parte mais do que nunca em meu vocabulário.
Peço de coração que vocês emanem energias positivas, bons pensamentos e muitos sorrisos… assim elas chegarão até mim, meu bebê, minha família, até vocês, suas famílias e assim poderemos fazer um dia mais leve, uma vida mais produtiva, enfim, vamos dar valor ao que realmente importa e lutar sempre para sermos profissionais competentes e de respeito, pais zelos, filhos carinhosos, amigos fiéis… com nossos defeitos, deslizes, mas perfeitos em querer bem a amar.

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