Decisão pelo Parto Domiciliar

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Se tem um assunto que eu gosto de falar/escrever é sobre parto, eu tive duas gestações que acabaram em partos normais, mas nem tão normais assim, pois foram cheios de intervenções desnecessárias, e foi assim que eu decidi que esta minha terceira gestação eu vou ter o meu tão sonhado Parto Domiciliar Planejado (PD).
Não tenho como falar da minha escolha sem retroceder um pouco e lembrar dos meus partos anteriores, o primeiro parto foi muito intuitivo, eu tive as primeiras contrações o dia 1/9/2006 as 4hs (da madrugada), avisei meu companheiro, que como de praxe entre os homens, ficou desesperado e queria ir pro hospital, porém eu mesmo com apenas 18 quase 19 anos, sabia que meu bebê não iria nascer naquele momento, decidi que iria seguir a minha rotina normalmente, fui trabalhar (trabalhava com meu companheiro, o que facilitou) passei o dia com contrações, muito suportáveis, foi um dia bem atípico, caminhei bastante nos corredores do meu trabalho, saímos por vota das 19hs, decidimos ir pra casa, tomar um banho, comer e preparar o ninho! Pensei que ainda ia demorar muito pra ver meu bebezinho, que nada, então por vota da meia noite as contrações se intensificaram,e decidimos ir pro hospital, chamamos o taxi, e aí a parte engraçada, o taxista ficou mais desesperado que eu ou meu companheiro, e correu , fez varias converções proibidas, andou na contramão…enfim chegamos no hospital com 6cm de dilatação, nisso a enfermeira (querida sqn)  disse pro PAI da minha filha ir embora descansar porque “aquilo” ia demorar horas, ele não foi ainda bem, as 2:56 nasceu minha bonequinha, linda com apenas 1,990kg e 46cm- romperam a bolsa com um instrumento q mais parecia a agulha de tricô da minha vó, me negligenciaram enquanto eu dizia que meu bebe ia nascer, diziam q eu não sabia de nada, qdo a enfermeira veio olhar a cabeça do bebê já estava coroando, me levaram as pressas pra sala de parto, chamaram o pai da minha filha correndo pra assistir o parto, que foi coroado de intervenções,sorinho (ocitocina sintética), episiotomia( corte no períneo, para ajudar na passagem do bebê) um bebê de menos de 2kg, uma anestesia que me apagou para a retirada da placenta, levaram meu bebê sem eu nem vê-la direito, e só fui vê-la ao meio dia pois eu não tinha roupa pra ir ate o berçário onde ela estava, e lá os pais também ficavam (grande coisa como se eles nunca tivessem visto uma bunda, já que eu estava com aquelas camisolas terríveis de hospital), como eu queria ser mais empoderada  naquela época, só eu sei como eu queria! Mas entre episio, banho, e colírio de nitrato de prata estamos bem e vivas, com algumas cicatrizes de um momento q era pra ser o mais lindo da vida de mãe e filha.
Já o meu segundo parto, foi mais planejado, pensado, mas mesmo assim fomos de novo para um hospital com a promessa de que esse seria mais humanizado(que palavra estranha, já que somos humanos e nós qu fizemos os partos virarem o que são, mas isso é assunto pra outro post), tive uma doula que além de minha Doula é uma pessoa que me identifico muito, que tenho uma ligação inexplicável! Ela me ajudou muito durante toda a gestação, e mais ainda com o trabalho de parto! Minha bolsa rompeu no dia 30/03/2013 as 6hs (da manhã), nisso avisei a minha doula ele esta querendo nascer, ela logo me ligou e disse te hidrata e come o que tiver vontade,  tenta descansar, mas claro que a ansiedade não me deixou descansar/dormir, mas fiquei deitada, tomei muita água, as dores foram se intensificando e quando ela chegou a minha casa por volta das 10hs as dores estavam mais intensas, fui pro box, tomei muito banho de chuveiro, usei  a bola de pilates no chuveiro fora dele, e fomos evoluindo, me entreguei muito nesse trabalho de parto, então agora já não tenho ideia do horários, ou de quanto tempo foi passando.  Mas foi um trabalho de parto lindo e cheio de significados pra mim, estava na minha casa, com as pessoas que eu amo, tanto que eu não queria ir pro hospital, minha doula falou umas 3 vezes (ou mais) que estava na hora de irmos pro hospital, e eu dizia que ainda não estava pronta, que não queria, e não queria mesmo, já tinha o desejo do parto domiciliar, porém por uma falta de organização financeira não realizei esse desejo na segunda gestação. Enfim por volta das 14hs fomos pro hospital chegamos la com 7/8cm de dilatação, no primeiro momento minha doula entrou comigo e me acompanhou nos primeiros “procedimentos” (exame de toque, recolhimento de digitais durante as contrações, e essas coisas desumanas e desnecessárias), ao contrario do que normalmente acontece quando a mulher sai da sua casa e vai pro hospital o meu trabalho de parto continuou evoluindo bem, mas toda minha força e vontade de parir, depois de estar na sala de pré-parto junto com meu marido foram desaparecendo e dando lugar pro medo, pois ali eu me sentia vulnerável a todas as coisas que eu não acreditava, e não queria passar. Passei a desacreditar da minha força, fiquei com medo de não conseguir parir, me encolhia na maca, meu companheiro (marido, amigo, parceiro) nesse hora foi essencial, ele me deu força e disse q eu era capaz, que nosso guri precisava dessa força toda, não deixou eu pedir analgesia, me deu força e paz, pra mim foi muito tempo, mas não deve ter sido muito, pois fomos pra sala de parto e nosso menino lindão nasceu as 15:16. Bom o parto dele, mesmo com meu empoderamento, e minha consciência do que queria, não fui respeitada, mesmo tendo um plano de parto onde estava escrito todas as coisas que eu queria e o que eu não queria, eu sofri pela segunda vez com a episio, mesmo eu implorando na hora do parto que eu não queria (preferia a laceração natural, se fosse o caso), ele mamou logo que nasceu e só saiu do meu colo para os procedimentos depois que pegou no sono no peito, não me respeitaram, quanto a escolha do cordão ficar ligado ate que parasse de pulsar e nem deixaram o pai cortar, colocaram o colírio de nitrato de prata, mesmo o meu exame de estafilococos negativo, deram banho pra limpar o que já estava limpo, enfim um parto transformador e lindo, porém cheio de intervenções!

E depois de tudo isso, cada vez me sinto mais segura e consciente da minha escolha de agora o baby3 terá o nascimento respeitoso e envolto de todo amor, do jeito que toda criança merecia ser recebida nesse mundo! Sei que tomei a decisão certa e sei também q serei muito julgada e questionada por isso, porém tenho o apoio das pessoas que mais importam, Lucas (meu marido, parceiro, amigo, amante, meu alicerce), minha mãe, meus filhos que mesmo sem entenderem muito já sabem que eu faço esta escolha por mim, por eles e pelo mano/mana, e a pessoa que mais me surpreendeu minha Vó, uma senhora de 80 anos que me disse que se era minha vontade eu deveria seguir, e ainda me agraciou com o relato dos seus 6 sim SEIS partos, sendo 3 deles em casa com parteira tradicional!
Eu escolhi uma equipe de parteiras formada segundo a tradição, uma equipe qual a minha doula (aquela do parto do Benjamin) me indicou, e eu senti uma conexão imediata, como se eu a conhecesse de uma vida inteira! Hoje estou com 37 semanas de gestação( e me preparando muito para o parto que eu escolhi, espero que de tudo certo, tudo como estamos planejando, me sinto feliz e completa com esse bebezinho que estou gerando, com a possibilidade de ter o parto que eu tanto sonho! Financeiramente, sim tem isso, não basta ter vontade tem que ter planejamento, pois qualquer parto tem um custo, sim poderia parir pelo SUS, e não  me deter nos detalhes (que fizeram diferença nos partos anteriores) porém escolhi ter o MEU parto, escolhi que meu filho(a) seja recebido nesse mundo com muito amor, escolhi não ter que me afastar da minha casa e dos meus filhos pra parir o baby3. Não temos o valor do parto disponível numa conta, e nem ninguém que possa me dar esse dinheiro de presente, mas vamos juntar e economizar em tudo que pudermos, pra que esse desejo venha se realizar!
Estou confiante que vamos conseguir!
E eu volto pra dar o relato desse parto (que será lindo) ou antes pra contar alguma outra novidade empolgante!

PS.:Escrevi este com 14 semanas de  gestação, já se passou bastante aqté que eu viesse postar, mas os sentimentos são os mesmos, e eu me emocionei relendo…

Andressa, mãe da Clarissa (9anos), Benjamin (2a 6m), e a espera do baby3 (37 semanas), moderadora do CdM e me aventurando nessa vida de blog!

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7 comentários

    • Caroline, como disse no texto estou com 37 semanas, mas em breve pretendo escrever o relato desse parto q tem tudo pra ser maravilhoso!! Espero poder ilustrar com lindas fotos!!

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  1. Texto lindo, cheio de amor.
    Acredito que todas as mulheres deveriam ter o direito de escolher seu parto conforme o que acreditam sem julgamentos que não revelam o quanto mais ou menos mãe vc é.
    O importante que tu estás se sentindo plena, completa e realizada.
    Eu sofri muito com críticas quando decidi que meu parto seria uma cesariana e se vier outros será tbm, é esta é minha escolha, está é a decisão que eu tomei. E precisamos aprender mais do que nunca a respeitar o que o outro sente e determina como melhor pra sí.
    Eu poderia dizer que tua decisão de parto é uma loucura, e de fato para a minha vida seria, jamais me sentiria segura, completa e realizada. Mas o que importa é que vc vai se sentir plena. Fico muito feliz que vc vai ter uma experiência incrível de uma decisão tomada com toda a convicção.
    Desejo que o parto do baby seja tudo que tu espera e muito mais, que venha com muita saúde pra encher essa família de mais e mais felicidades.
    Um grade bj e Boa hora

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    • Eu penso exatamente assim… Acho q temos q ter o direito de escolher o tipo de parto q nos deixa mais confortável e segura! Eu escolhi parir em casa, com parteiras formadas na tradição, sem medicamentos, mas respeito e muito quem decide por uma cesárea, ou parto hospitalar, pq cada um tem uma realidade, e hj a minha é essa, não sei se terei o baby4 ( preciso ficar ryca pra isso) mas se eu engravidar novamente, não sei q tipo de parto vamos escolher, pq tem a realidade de cada um naquele determinado momento! Hoje eu me sinto segura e firme com a decisão que tomei, mas isso pode não ser uma realidade num futuro! Cada parto é um parto! Obrigada pelas lindas palavras…

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