DIZER NÃO E DIZER SIM

FOTO BLOGEsses dias, em churrasco com amigos, participava de uma conversa sobre a educação dos filhos nos dias de hoje. Falávamos sobre o excesso de estímulos inadequados na TV, sobre as consequências da má educação de uma criança, e finalmente entramos no terreno arenoso da questão dos “limites”. Entre meus amigos havia pais de primeira viagem, de segunda e terceira viagem, tios, entendidos, curiosos e metidos no assunto. Alguns mais intolerantes afirmavam que o bom mesmo eram os tempos de antigamente, quando chamavam os pais de senhor e senhora, apanhavam de cinta e não levantavam da mesa antes dos pais.

Entre posicionamentos inflamados, defesas de vários pontos de vista, risos e argumentos de todos os tipos, a grande maioria categórica ao afirmar que as crianças estão sem limites e muito desregradas e que dizer “não” é a única alternativa, ouve-se uma voz fininha… A Lelê (Helena, minha filha), no alto dos seus três anos de idade afirma, cheia de razão:- “mas às vezes pode ser sim!”. Risos gerais.

Isso, me levou a pensar na questão de forma mais aprofundada. Exageros a parte, penso que vivemos uma era muito mais permissiva, mas por outro lado, um tempo de dúvidas: quando dizer não e quando dizer sim?

Existem coisas que são terreno do bom senso: não colocar sujeira na boca, não andar descalço no inverno do RS, não falar palavrão, não bater no coleguinha… Mas… E dormir na cama da mamãe e/ou do papai? E não querer tomar banho? E chupar bico, mamadeira depois dos três anos? Pode? Não pode? Pois é… Difícil estabelecer limites, até porque o que numa família pode, na outra talvez não possa.

Por isso, a psicologia estabelece estágios de desenvolvimento, etapas que compreendem além da idade cronológica, o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional da criança. Isso tudo baseado em estudos e pesquisas comparativas, sem esquecer as questões individuais. Ou seja, por volta dos dois anos, tira-se a fralda… Pode ser ao 1 ano e 10 meses, ou aos dois anos e 10 meses, mas não muito além disso, pois sabe-se que pode prejudicar o desenvolvimento da criança.

E as questões que não são, assim digamos, científicas? Aquelas, do dia a dia… Da hora de colocar a camiseta pra ir à escola… de dizer que não vai mais olhar um desenho antes de ir pra cama… Nessas horas, vale o bom e velho “bom senso”. Vale pesar se aquilo realmente é importante. Avaliar as consequências. E se a conclusão for de que não pode ver o desenho, seja firme. Como diria o líder da revolução cubana Che Guevara: “Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás “. Pois isso é o que faz com que a criança sinta-se segura e confie que aquela será a melhor alternativa. Isso ajuda a estabelecer os laços firmes do relacionamento.

Vai haver birra, choro, fúria? Provavelmente, e agora, parafraseando o poeta Cazuza: “… faz parte do meu show…”. A criança irá tentar de todas as formas conseguir o que deseja. Cabe aos pais estarem consciente da decisão tomada e confiantes de que aquela é a melhor alternativa. Depois da decisão tomada: -“ a Fulana não irá mais compartilhar nossa cama”, não vale voltar atrás.

Isso não quer dizer que não possa haver combinações, pelo contrário: o diálogo sempre é bem vindo. Acordos podem ser feitos: “- então, fica acertado que a Fulana não irá mais dormir na cama dos pais a partir do Natal desse ano!”. E isso ser combinado com a criança, ser participado a ela (claro que me refiro a questões onde a participação delas é possível e sempre numa linguagem acessível). Quem sabe pode ver mais um desenho antes de ir para o banho e jantar, sem brigas. Escovar o cabelo para poder brincar com a Barbie, arrumar os brinquedos pra ganhar um colo… Tudo pode ser negociado, desde que sejam mantidos os tratos. Isso vai fazer com que a criança saiba que o pai e a mãe dizem a verdade (se mudam de ideia hoje, como vou confiar neles amanhã?), confiar que eles estão atentos e cuidando do filho. Enfim, ajuda, e muito, a desenvolver a capacidade de confiança e facilita o convívio entre a família.

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